LEITURA: UM HÁBITO QUE SE CONSTRÓI AOS POUCOS


“Um leitor vive mil vidas antes de morrer. O homem que nunca lê vive apenas uma.” George R.R. Martin representou, nessa frase, a sensação vivenciada por muitos leitores ao entrarem em contato com uma obra literária.

Através de uma boa leitura, somos capazes de habitar outros lugares, conhecer diferentes realidades e enxergar o mundo por outros olhos. É isso que torna a leitura uma experiência tão especial. Entretanto, o gosto pela leitura só vem com a prática e, assim como aprender a tocar um instrumento ou aprender um determinado esporte, é preciso aprender a gostar dos livros.

Todavia, em tempos de uso demasiado de telas, como fazer para que as crianças e adolescentes passem a conviver mais com os livros? Não há fórmula mágica para criar o hábito da leitura, mas ele pode ser cultivado aos poucos. Pequenos estímulos diários, como ler antes de dormir, visitar uma biblioteca ou conviver com outros leitores, funcionam como exercícios sutis que despertam o interesse pelos livros. E há algo mágico nesse processo, pois, muitas vezes, não é você quem encontra o livro, é o livro que encontra você. Quem é leitor há algum tempo conhece essa sensação, aquele livro que você retirou na biblioteca em uma aula de Língua Portuguesa, ou aquele que foi uma indicação, ou talvez aquele que você buscou somente porque gostou da capa. O livro certo, no momento certo, tem o poder de transformar a forma como enxergamos o mundo e a nós mesmos.

Para que essas relações aconteçam, é fundamental que existam espaços e atividades de incentivo à leitura os quais facilitem os encontros dos leitores com os livros. É nesse processo que as bibliotecas entram com um papel tão lindo e significativo, pois não são meramente um lugar para armazenar os livros, são espaços de encontros. Encontros estes com as histórias, com os personagens, com a curiosidade que é aguçada e, por fim, com a descoberta de uma narrativa que pode transformar um leitor em alguém que é realmente apaixonado pelos livros.

Mas e quando, mesmo depois de todas essas doses homeopáticas, o leitor ainda reluta em buscar uma biblioteca e em se aproximar dos livros? A alternativa mais simples seria mudar o caminho e criar oportunidades. A boa notícia é que o caminho não precisa ser longo, pois bem no centro da cidade, mais especificamente na praça, a Feira do Livro de Caxias do Sul, com programação intensa até o dia 18, busca justamente criar encontros. Na Feira do Livro, o livro estará ali, ao alcance de quem passa. De forma democrática, a mágica pode acontecer e podemos viver mil vidas em uma só.

Greici da Rosa Fulcher, professora de História e Julia Borges, bibliotecária do Colégio Madre Imilda.

*Foto: Jesse Lopes

Publicado em 09/10/2026
por Meneguzzi